Por Matheus Santos
Os alemães comemoraram na semana passada os 20 anos da “queda do muro de Berlim”, por isso, caros leitores, estou aqui para falar um pouco deste evento que já fora documentado no cinema…
Foi em novembro de 1989 que a barreira (no meio da cidade de Berlim) que separava a Alemanha Oriental da Alemanha Ocidental foi ao chão, para unificar as duas Alemanha e voltar ao regime que a sustentava antes, o capitalismo. De um dia para o outro, uma nação inteira teve que modificar seus costumes abraçando a cultura e o consumismo do inalcançável mundo ocidental. Hoje, após 20 anos, alguns nostálgicos ainda sentem saudades daqui fora o “socialismo real”.
No filme Adeus, Lênin!(2003), escrito e dirigido por Wolfgang Becker é possível ver esse universo retratado. A história começa um pouco antes da queda, onde Christiane (Katrin Sass) cuida sozinha de seus dois filhos. Ideológica, Christiane ama a pátria e todos os valores representados pelo socialismo. Ao ver seu filho Alex (Daniel Bruhs) sendo espancado por policiais, ela tem um enfarte e entra em coma.
Ao despertar, oito meses depois, o país está completamente diferente. Após a queda do muro, as roupas mudaram, a propaganda invadiu sua cidade, nem mesmo sua marca de pepinos preferida podia ser encontrada nos supermercados locais. Como se já não fosse problema suficiente, o médico avisa Alex que um choque pode ser fatal para Christiane. Como contar a ela, então, que tudo em que ela acreditava não existe mais? Resposta: não contar. Alex resolve isolar a mãe da sociedade, criando um verdadeiro abrigo socialista em seu quarto. O mais incrível é que Alex consegue criar no quarto o que países inteiros não conseguiram: um socialismo perfeito.
Em Adeus, lenin!são retratados os dramas individuais tendo a história de pano de fundo. Faz isso com leveza, sensibilidade e humor. A queda do muro, as transformações sociais causadas pelo retorno ao capitalismos e o choque entre as duas culturas. Está tudo lá. E tudo isso com numa roteiro alternado no humor e na dramaticidade.


